
Líbano, década de 1960. Em um país onde tradição, fé e história se entrelaçam, um menino começou a contar uma história que parecia pertencer a outro tempo — e a outra vida. Seu nome era Suleyman Andray, e desde muito cedo ele afirmava lembrar quem havia sido antes de nascer.
Suleyman nasceu em 1954, no seio de uma família drusa. A fé drusa, derivada do islamismo, mas teologicamente distinta, sustenta uma forte crença na reencarnação. Segundo essa doutrina, a alma não termina com a morte, mas passa diretamente para um novo corpo. Mesmo dentro desse contexto cultural e religioso, os relatos de Suleyman chamavam atenção pela precisão e consistência.
Por volta dos cinco ou seis anos, sua família começou a ouvi-lo murmurar nomes desconhecidos enquanto dormia. Questionado, Suleyman explicava com naturalidade que aqueles eram os nomes de seus filhos… de uma vida anterior. Ele falava de um vilarejo chamado Gharife e dizia que ali havia sido dono de uma prensa de azeite de oliva.
Com o passar do tempo, as lembranças não desapareceram. Aos onze anos, Suleyman recusou-se a emprestar um livro. Sua justificativa surpreendeu os adultos: ele dizia se lembrar de uma regra que havia seguido em sua vida passada — nunca emprestar livros. Não soava como teimosia infantil, mas como um hábito antigo que permanecia intacto.
Um nome surgia repetidamente em seus relatos: Abdallah. Suleyman afirmava que esse havia sido seu nome na vida anterior. Abdallah, segundo ele, vivera em Gharife e trabalhara como proprietário de uma prensa de azeite. Os detalhes eram específicos demais para parecerem fruto da imaginação.
Essas histórias, porém, tiveram um custo. Entre outras crianças, Suleyman passou a ser alvo de zombarias. Seus relatos o tornavam estranho, diferente. Com o tempo, ele decidiu se calar, evitando falar sobre suas memórias para não ser ridicularizado.
Tudo mudou em 1967, quando Suleyman visitou Gharife pela primeira vez em sua vida atual. O que aconteceu ali deixou sua família e os moradores do vilarejo perplexos. Os habitantes confirmaram que um homem chamado Abdallah Abu Hamdan realmente havia vivido ali e que fora dono de uma prensa de azeite — exatamente como o menino descrevera.
Ainda mais intrigante foi o fato de Suleyman reconhecer vários locais sem qualquer orientação. Ele identificou caminhos, construções e pontos de referência que nunca lhe haviam sido mostrados. Para os moradores, aquela familiaridade parecia impossível. Para Suleyman, era algo natural.
Seria isso uma prova da reencarnação? Um fenômeno psicológico moldado por crenças culturais? Ou uma combinação complexa de tradição oral, memória inconsciente e imaginação infantil?
Pesquisadores que estudam casos como o de Suleyman — especialmente nas áreas da psicologia e da parapsicologia — observam que regiões onde a reencarnação é culturalmente aceita apresentam um número maior desses relatos. Ainda assim, casos com detalhes confirmáveis continuam sendo raros.
Suleyman Andray nunca buscou fama ou reconhecimento. Para ele, essas lembranças foram tanto um mistério quanto um fardo — uma vida passada que se infiltrava na presente, uma memória que se recusava a desaparecer.
Em um mundo que vê a morte como um limite definitivo, a história de Suleyman Andray sugere que, para alguns, essa fronteira pode ser mais frágil do que imaginamos.
Mistério - 24/01/2026 - Wakonda - 
